Total de visualizações de página

sexta-feira, 7 de março de 2008

Lupi tira licença do comando do PDT

BRASÍLIA - Depois de três meses de desgaste por causa da recomendação da Comissão de Ética da Presidência da República para que se afastasse da presidência do PDT ou deixasse o ministério do Trabalho e Emprego, o ministro Carlos Lupi anunciou nesta quinta-feira que vai deixar o comando do partido. Lupi alegou que não quer causar constrangimento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No fim da tarde, o ministro reuniu-se com o novo presidente da Comissão de Ética, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence. Lupi aguardava apenas a posse de Pertence para formalizar sua decisão, já que estava em confronto direto com o ex-presidente da comissão, o ex-ministro da Fazenda Marcílio Marques Moreira.
Para o ministro, afastar-se da liderança do PDT com Marcílio à frente da comissão soaria como uma derrota ainda maior. Além da pressão, Lupi enfrentou uma série de denúncias de irregularidades em convênios firmados pelo Ministério do Trabalho com organizações não governamentais (ONGs) ligadas a políticos do PDT. O ministro nega qualquer envolvimento em favorecimento das instituições.
Reunião do PDT - Na quarta-feira (5)
Lupi participou de reunião com a Executiva e as bancadas do partido na Câmara e no Na reunião, o senador Osmar Dias (PDT-PR) defendeu o afastamento de Lupi do comando do partido. "Acredito que o bom senso vai levá-lo a se licenciar da presidência do PDT", afirmou Dias. "Essa história tem de ser esclarecida porque o PDT quer continuar com a bandeira limpa", disse o senador paranaense.
O senador Jefferson Perez (PDT-AM) disse que o ministro não saiu da presidência do PDT após a reunião para não parecer que foi pressionado. "Se ele saísse hoje (na quarta) vocês iam escrever que ele foi destituído pelo PDT. Não é o momento para ele se afastar", argumentou Perez.
Manoel Dias diz que não assumirá o PDT nacionalDiário Catarinense - Faltou comunicação entre o presidente nacional do PDT, agora licenciado, Carlos Lupi, e os demais líderes da sigla. Ministro do Trabalho e sob tiroteio de denúncias, Lupi decidiu afastar-se da presidência pedetista, o que já havia sido acertado em um encontro com os principais dirigentes da legenda, na quarta-feira. Ficou de conversar com o presidente do Conselho de Ética Pública, Sepúlveda pertence, e, antes de se afastar, avisaria os companheiros de PDT. O encontro ocorreu no início da noite. Mas o secretário-geral, o catarinense Manoel Dias, ficou sabendo pelos jornalistas que ligaram para ele e também pelo Jornal Nacional, da Rede Globo.
Maneca avisa que não assumirá a presidência. Prefere ver o estatuto do partido cumprido. Tribuna da Imprensa - Com o afastamento, Lupi disse que seu substituto será o primeiro vice-presidente do partido, o deputado Vieira da Cunha (RS), atual líder do PDT na Câmara. Segundo Lupi, a posse do vice, em caso de licença do presidente, está prevista no estatuto do partido. Lupi formalizou a saída do comando partidário um dia depois da reunião com a cúpula do PDT, quando recebeu solidariedade pública, embora tenha sido aconselhado, em reunião fechada, a se afastar logo. O ministro não quis anunciar o pedido de licença na ocasião para não deixar a impressão de que tinha sido forçado pelos companheiros de partido.
GABRIELA GUERREIRO (Brasília) - A Folha Online apurou que Lupi não quis se afastar nesta quarta-feira porque ficou irritado com a pressão de integrantes do governo para deixar a presidência do PDT. O ministro José Múcio (Relações Institucionais) e Moreira já defenderam publicamente que Lupi tire licença do cargo.
O ministro disse ser vítima de uma das "maiores perseguições" que já presenciou no país. Mas afirmou que, apesar da pressão para deixar o cargo, o PDT permanecerá na base de apoio do presidente Lula. "O apelo do presidente [para que fique no ministério], eu fico muito sensibilizado. Agora, não vou me pautar por aquilo que querem as pessoas que não gostam do trabalhismo nem do PDT".
Lupi recebeu a solidariedade da executiva do PDT, apesar de alguns integrantes defenderem a sua licença do comando do partido. "O PDT se sente atingido por tudo isso. O partido quer continuar com a sua bandeira limpa", disse o senador Osmar Dias (PDT-PR). Na defesa de Lupi, o secretário-executivo do PDT, Manoel Dias, disse não ver irregularidade nas denúncias de que Lupi teria beneficiado entidades ligadas ao partido como ministro. "Qual é o ministro que não beneficiou um partido no exercício do seu mandato? É natural. Eu não defendo a licença, tudo vai ser esclarecido", afirmou.

Nenhum comentário: