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terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Violência em São Lourenço

Recentemente houve uns assaltos a lojas comerciais aqui em São Lourenço da Mata. Esse fato trouxe à tona novas movimentações sobre a violência na Cidade. A mobilização contou com o Comando do 20º Batalhão de Polícia, sediado na Cidade, da Policia Civil local, da CDL e outros segmentos sociais. Houve excelente cobertura da Imprensa local. Foi uma boa discussão sobre o tema.

Entretanto fico apreensivo acerca das providências que cada um imagine que devem ser tomadas. Entendo que a violência tem infinitamente muitas causas que deverão ser estudadas, identificadas e que sejam planejadas ações para o seu combate. Não será por canetada, contingente policial, número de viaturas, câmeras de vigilância ou quaisquer ordens de repressão que vai acabar a marginalidade que é uma das formas de violência mais gritante em nossos dias. Ações de repressão, principalmente, as pontuais, tende “exportar” ações criminosas para outras regiões. Isso, com certeza provocarão relocalização da marginalidade.


O trabalho constitucional da polícia é necessário e salutar. Os convênios das entidades comerciais com as polícias ajudam. Mas, essencialmente, não combatem efetivamente as causas da violência. Num país como o Brasil que, historicamente, pouco investiu para evitar o surgimento dos bolsões de pobreza, do desemprego, da desesperança e da miséria, seria justo que hoje a sociedade entendesse que todos têm uma dívida social com esses problemas, principalmente os grandes conglomerados econômico-financeiros e os detentores do poder. Eles sabem: as grandes causas da violência são mazelas sociais que estão levando nossos jovens ao caminho do crime.

Os grandes jornais da Capital estampam: 330 NOVAS VIATURAS E 848 NOVOS SOLDADOS JÁ ESTÃO EM CIRCULAÇÃO NAS RUAS. Li As matérias. Só tratam de números da violência, da repressão, do efetivo, de cães, carros de polícia, patrulhamento, etc, etc. O Governo vem fazendo seu papel, a Polícia está desempenhando sua função constitucional. O governo do Estado tem um programa intitulado “Pacto pela Vida”. No entanto necessitamos de um “Pacto Social” com as entidades civis para, juntos aportar investimentos em obras sociais de combate à violência. Essa tarefa pode ser proposta pelas associações e federações do comércio, da indústria e dos serviços. Esses segmentos poderiam também, propor parcerias com entidades religiosas, comunitárias, sindicais e outras. Com certeza que uma discussão nesse nível poderia trazer melhores resultados, mesmo que a médio ou longo prazo. Por que não começar em São Lourenço da Mata? Poderia.

As propostas até então apresentadas sobre o tema em São Lourenço nos parece uma visão simplista sobre os remédios encontrados no combate à violência na Cidade. Penso que investir tão-somente em projetos fiscalizadores e de repressão, é paliativo e fonte para estatísticas, mesmo assim, localizadas. Na minha concepção devemos nos voltar, a apoiar os projetos de desconcentração de renda, com a implementação do Educacionismo, profissionalização dos jovens e formação de cidadania das novas gerações.

Numa entrevista escutei o Major Wilton, Comandante do 20º Batalhão, além de afirmar que não dispunha de efetivo suficiente para patrulhar a especificamente o Centro de São Lourenço e que teria que deslocar policiamento de outras áreas. Afirmou: "Política de segurança não pode ser política de governo, deve ser política de Estado. Todo processo tem que ter continuidade e não adianta querer politizar o tema".

E, como diz o ditado popular, “para um bom entendedor meias palavras bastam”.
Escrito por Adeildo Santos

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